Expedição ao rio Capibaribe, um olhar expectador.
 

Texto: Viviane Guimarães
Fotos: Roberto e Sergio E. Marchioni


 

       É com grande satisfação que começo a relatar uma experiência interessante que vivi.
 
       Quando Sergio compartilhou comigo a sua idéia de desbravar, embarcado em um caiaque, o nosso rio Capibaribe, achei a idéia no mínimo ousada.
 
       Imaginar um grupo, que posso classificar como seleto, navegando a bordo de caiaques em um rio que sabemos, registre-se infelizmente, extremamente poluído, é algo bem estranho.
 
       Imaginei a poluição, o perigo de contaminação a que estariam expostos, mas ao mesmo tempo, imaginei a oportunidade de usar esse evento para trabalhar a conscientização da preservação ambiental.
 
       Resolvi, então, acompanhar este passeio das nossas pontes e tirar da minha calada observação, minhas impressões.

 
 

       Pois bem, a concentração do passeio se deu em um lugar que, particularmente, acho maravilhoso, entre a casa de Banhos e o pátio de esculturas de Brennand.
 
       A imagem daqueles caiaques a beira do rio já me deu a dimensão do que veria de beleza.

 
 
 

       Ali naquela área onde o passeio começou, tudo estava tranqüilo, vista linda, o colorido dos caiaques, a empolgação dos participantes, tudo perfeito para uma expectadora.
 
       Como tinha o roteiro em mãos, peguei o carro e fui esperar o grupo nas pontes do Recife.

 
 
 
 
 

       Vi tanta beleza, tantos prédios lindos, mas ao mesmo tempo, vi tanta sujeira, tanto desrespeito, tantas latinhas, sacos plásticos e outros lixos boiando no nosso rio, isso sem contar o esgoto, que deveria ser tratado pela nossa companhia de águas e esgotos sendo jogado “in natura” no nosso rio.
 
       Quanta contradição!

 
 
 

       Lembro-me bem quando o grupo chegava ao centro, perto do teatro Santa Izabel, onde os participantes ergueram os remos, festejando aquele passeio. Foi lindo demais observar aquela integração homem x natureza.

 
 
 
 
 

       No “centrão” do Recife, outra observação interessante. Enquanto via e vivia a agitação das pessoas indo e vindo pelas ruas, o grupo demonstrava paz, navegando tranqüilo naquele rio lindo e poluído.

 
 
 
 
 
 
 

       O finalzinho, que terminou na ponte da Ilha do Retiro, não pude acompanhar, mas tive a oportunidade de ver pelas fotos. O passeio cortou uma das grandes favelas de nossa cidade dando a real dimensão da poluição e do que é viver, tendo-a como vizinha.

 

       É muita sujeira, é muito desrespeito com a natureza e com nosso semelhante, que vive numa condição de vida assim.

 
 

       Claro que a situação é muito mais complexa do que parece e não tenho objetivo de discuti-la aqui, mas gostaria de contribuir de alguma forma com a preservação da natureza e, encontrei aqui neste relato, a chance de expor esses sentimentos.

 
 
 

       Finalmente, deixo uma reflexão:
 
       O homem não precisa da natureza, pois ele é a própria natureza viva. Quando vamos aprender a nos preservar? Nesta pergunta, também me incluo.