Ciclismo - Matérias
 
A prevenção ainda é o melhor remédio!

 

       A longa história do ciclismo e a evolução da ciência do esporte e da reabilitação esportiva vêm ganhando destaque de forma significativa em nosso dia-dia, mudando o conceito da prática da atividade física. Antigamente, a preocupação era somente com o incremento da atividade física na vida diária dos sedentários, e dos famosos “atletas de final de semana”. Já nos dias de hoje, vivemos uma incessante busca pela prática da atividade saudável e com qualidade.
 
       É muito comum escutarmos de ciclistas iniciantes e também dos mais experientes, queixas de dores e desconforto. Nos iniciantes as lesões em geral aparecem em função do mau ajuste da bicicleta, falta do uso de equipamento adequado ou orientação errônea.

       No GP Márcio Ravelli 2005, iniciei o primeiro levantamento estatístico da incidência de lesões nos atletas de mountain bike e, um dos fatos que mais me deixou impressionado foi sobre a falta de orientação em questão ao procedimento do ciclista durante a ocorrência de lesões. Os relatos mostraram que muitas vezes o atleta não somente atrapalha como acaba agravando seu quadro, por negligência ou descaso.
 
       Com certeza boa parte das dores, sejam elas nos joelhos, lombalgias, cervicalgias ou mesmo musculares, tendíneas, como outras, poderiam ser evitadas ou serem de fácil resolução, se tratadas logo no seu início, pois os sintomas podem se agravar a tal ponto que a continuação da prática se torne impossível.
 
       Podemos classificar as lesões como evitáveis e inevitáveis.
 
       A melhor forma de se evitar as lesões ainda é prevenir, só que para isso faz-se necessário que tanto o ciclista iniciante como o experiente realizem avaliações, na busca de uma prescrição de acordo com a individualidade física de cada um. Pois podemos pegar dois indivíduos do mesmo sexo, altura e peso, que teremos diferentes particularidades físicas, até mesmo em relação a flexibilidade, variações anatômicas, posturais, históricos médicos, sem contar na questão dos equipamentos e de seus objetivos.

       Através da avaliação inicial é possível identificar predisposições a determinadas lesões, esta deve ser realizada ou por um médico ou fisioterapeuta esportivo, onde o profissional estará avaliando sua postura, todas suas articulações, sua história pregrés, como também fazendo um levantamento dentre seus objetivos e suas necessidades, a fim de orientá-lo dando-lhe condições de colher somente os benefícios da prática deste esporte.
 
       Vale muito mais a pena errar para mais e ter a certeza de que esta fazendo tudo da maneira correta do que não dar a atenção necessária e acabar se prejudicando no futuro.
 
       No caso das inevitáveis, logo no início de alguns sintomas como: dores, desconforto, queimação, formigamento, alteração da sensibilidade, inchaço, e de alguns outros sinais como estalos nas articulações, creptações (rangidos), deve ser procurado um médico, de preferência especializado em esporte, para que seja feito o diagnóstico e para que seja iniciado tratamento o mais rápido possível, a fim de evitar o agravamento da lesão e potencializar sua reabilitação, visando uma volta rápida e segura aos pedais.

 

Ricardo Padovan, graduado em fisioterapia pelo Ceunsp em 2002, especializado em Bioquímica, Fisiologia, Treinamento e Nutrição Esportiva pela Unicamp em 2005, tem em seu histórico esportivo mais de 16 anos dedicados a expedições, maratonas e ultra-maratonas em atletismo, natação e mountain bike, montanhismo, canoagem, tendo sempre o esporte como hábito na promoção da saúde, bem-estar e qualidade de vida. Atua na área ortopédica e esportiva, no trabalho de prevenção, avaliação biomecânica e cinesiológica e reabilitação de atletas amadores e profissionais.
E-mail: fisioesportiva@terra.com.br